Quem foi Clare Winnicott, a guardiã da psicanálise Winnicottiana

Atualizado: 19 de mar.

“Que sorte tivemos com aqueles que partilharam de nossas vidas, quanto lhes devemos e quanto desfrutamos de sua companhia” — Clare Winnicott.


Clare Winnicott, a personalidade que inspirou o nome do ICW Psicologia, foi uma das mais renomadas assistentes sociais e psicanalistas do Reino Unido no século XX.


Nascida com o nome de Clare Nimmo Britton, em 30 de setembro de 1906, em Yorkshire, condado histórico localizado no norte do país, ela se destacou por sua atuação ativa com crianças em situação de vulnerabilidade. Desde adolescente, ganhou destaque por suas habilidades como comunicadora e guardiã compassiva dos necessitados.


Na juventude, atravessou o período da Grande Depressão (1929) auxiliando as famílias mais prejudicadas em Londres. Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, ela decidiu cursar assistência social na London School of Economics (LSE). Segundo seu biógrafo, Joel Kanter, a assistente social era reconhecida como uma pessoa “academicamente brilhante”.


No entanto, diferentemente de seus colegas, ela não seguiu carreira clínica ou hospitalar. Por ter testemunhado as consequências da Primeira Guerra Mundial, principalmente para as crianças que foram separadas de suas famílias, Clare decidiu trabalhar nas evacuações durante a Segunda Guerra Mundial com a Associação Nacional de Saúde Mental do Reino Unido.


Após alguns meses de trabalho, foi direcionada para ajudar no esquema de evacuação de Oxfordshire, onde ficavam alojados jovens com problemas de conduta e que tinham sido abandonados por suas famílias ou retirados delas. Lá, conheceu Donald Winnicott, um supervisor médico pediatra, que fazia visitas semanais para verificar o esquema de evacuação na região.


A ele, Clare explicou as ideias que tinha sobre crianças que foram canalizadas para o sistema de evacuação. Donald concordou com a sua abordagem. Neste momento, começou a se consolidar uma das colaborações mais ricas da história da psicanálise e da assistência social.


Ambos escreveram o artigo "O problema das crianças desabrigadas". Nele, os autores descrevem as responsabilidades de um assistente social no esquema de evacuação, assim como os impactos da guerra no comportamento das crianças.


Joel Kanter, seu biógrafo, escreveu que diversos colegas dos dois expressaram que a capacidade de Clare em colaborar efetiva e academicamente era inigualável. Em 1945, a morte de uma criança no sistema de adoção inglês abriu uma ampla investigação. Clare e Donald participaram do comitê que investigou o incidente.


O comitê, nomeado de “The Report of the Care of Children Committee”, descobriu que mais de 100 mil crianças necessitavam de acolhimento no Reino Unido, o que desencadeou uma onda de choque por todo o país. A situação levou à aprovação da Lei da Criança de 1948, que estabeleceu um serviço abrangente de cuidado infantil no país.


Depois de todo o trabalho em conjunto, Clare e Donald se aproximaram e começaram a se relacionar. Eles se casaram em 1951 e permaneceram juntos até a morte de Donald, em 1971.


Ao longo da vida a dois, ela fez diversas colaborações para o desenvolvimento da teoria Winnicottiana, que, em resumo, entende que a psique não é uma estrutura pré-existente e sim algo que vai se constituindo a partir da elaboração imaginativa do corpo e de suas funções.


Clare foi uma das grandes responsáveis pela organização e publicação das obras de Donald. Uma verdadeira guardiã da psicanálise Winnicottiana. Ela morreu em 1984, aos 77 anos. Há uma biografia sobre sua vida, lançada em 2004 por Joel Kanter, intitulada “Face to Face with Children: The Life and Work of Clare Winnicott”.

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